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terça-feira, 3 de abril de 2018

Ups... quem faltou ao respeito primeiro?



Vi um vídeo de origem italiana, onde se podem ver agressões a crianças, numa instituição, por parte dos profissionais (provavelmente educadores e auxiliares).




Por norma, surgem sempre contestações a este tipo de situações, muita gente comenta, agride verbalmente o agressor, diz que fazia isso ou aquilo, mata, esfola, manda para a prisão, chegam a dizer que tal profissional não pode mais exercer e etc e tal.
Quando são os pais a conversa é outra. Se é uma palmada, mesmo que mais forte é educação, é porque a criança fez algo que não devia ter feito. Só se existirem marcas fortes visíveis é que os progenitores são agressores.

Duas medidas para uma só ação... 


Falando dos profissionais que todos os dias têm a responsabilidade de um grupo de crianças, pergunto:

Quando se entra para um curso de educação será porque motivo?
Que valores levam esses futuros profissionais?
Que experiências trazem de trás?
O que motivo estes adultos para seguirem esta área?
Depois de concluída a formação como equilibram a teoria e a prática?
Como avaliam?
Como se auto avaliam?
Que valores passam?
Que experiências permitem serem vividas?
Que motivação transmitem? ...

Como profissional de educação e mãe, preocupam-me as respostas para estas questões.

Infelizmente já vi colegas a terem posturas semelhantes ou piores do que se vêm no dito vídeo. O que fiz? Denunciei. Se me arrependi? Não, apesar de ter sofrido consequências por ter sido justa e não conivente.


Colocam-se várias questões sobre este problema mas comecemos por uma que continua a fazer-me pensar, em que espécie se está a tornar o Ser Humano, e que poucas vezes se fala:

E os adultos que assistem e nada fazem, por simples conivência, indiferença ou medo...


Ok! Passemos a um cenário!

Vejo um educador/professor a bater numa criança e finjo que não vejo.
Se eu for auxiliar tenho receio que não acreditem em mim, afinal é a palavra do educador/professor contra a minha e ainda posso ficar mal vista perante as chefias.
Se eu for educador/professor penso que não tenho que me intrometer na prática do colega , temos a mesma formação e ele conhece o seu grupo melhor que ninguém, aliás se o fez é porque a criança em causa deve ser terrível.
Já nem penso mais nisso e termino o meu dia de trabalho. Vou para casa. Trato do jantar, dos filhos, banhos, deitar, orientar o dia seguinte até que chega o momento em que me deito. 
Agora o que acontece?




Fecho os olhos e durmo tranquilamente? ou...


Fecho os olhos e continuo a ver a criança que foi agredida, a chamar pela mãe ou pelo pai, a chorar, indefesa, com medo e sabendo que no dia seguinte quando tiver de ir para a escola irá contra vontade porque não quer que lhe aconteça o mesmo ou não quer ver a acontecer a outro amiguinho da sala?
Como durmo?
Como acordo?
O que vi nos meus sonhos? Águas agitadas, penumbras, sombras, medos, conflitos, poucas cores, culpabilizações, , confusão...??? Ou pelo contrário vi sol, cores fortes, sorrisos, harmonia, amigos, família...???

Ficam as perguntas. Mas ainda deixo mais uma. O que faz uma pessoa achar que tem o direito de bater em alguém, seja ele animal, criança, velho, marido, mulher, pai/mãe, filho...?????


Bater é covardia, numa criança mais ainda. É coação. O adulto é maior, mais forte e ainda tem a autoridade de ser pai/mãe/cuidador/professor. A criança não pode reclamar, gritar, fugir, pedir ajuda, defender-se, bater de volta... Pelo contrário, se o fizer ainda "leva mais" porque faltou ao respeito.


Ups... 
quem faltou ao respeito primeiro?


Ser agredido diminui a auto estima e confiança de qualquer um, 
é cruel, é degradante.





O exemplo tem que vir do adulto, seja ele pai/ mãe ou educador/professor. Não se pode pedir a uma criança que peça desculpa ao irmão ou amigos, que converse sobre a sua postura, que não bata quando quer um brinquedo, que não grite quando se quer fazer ouvido, quando no fundo é sempre isso que ela vê no adulto. Que bate quando faz algo mal, que grita quando não tem paciência e ofende e humilha quando não sabe o que fazer.


É mais do que sabido que existem estudos que comprovam que a criança  entendem e seguem mais facilmente os exemplos do que o "blá blá blá" dos adultos.


Já perguntou a uma criança porque não faz determinada coisa? Eu já! E ouvi como resposta "porque depois me batem". Não é porque é errado, porque já lhe disseram que seria melhor não o fazer, porque aleija alguém ou qualquer outro motivo mas sim porque é penalizado fisicamente.

A coisa certa pelo motivo errado?

Esta criança não aprendeu nada. O adulto quis educar mas usou a pior estratégia.

Isto faz pensar mais além. 
Esta criança vai crescer, certo? 
Quando for grande demais para a palmada qual será a outra forma de coação ❔❔❔❔❔

terça-feira, 30 de junho de 2015

Porque não nos entrevistam os pais?

Já há algum tempo que tenho pensado num assunto que me tem feito cada vez mais sentido, ou confusão, dependendo do ponto de vista (tão típico em mim)...


Começou no dia 26 de abril quando fui a um Encontro de Pais para "Pensar Educação", organizado por Marta Nabais, responsável pelo blogue OvO e que tem vindo a fumentar estes encontros com o intuito de partilhas conscientes e interessantes.

Este Encontro de Mães Fora do Ovo (assim designado), nasce do coração desta mãe que se vê, no momento de escolher um espaço onde o seu filho, de 3 anos, possa estar a maior parte do dia e onde o tratem com respeito e carinho, tudo aquilo que acontece em sua casa. 

Depois de algumas conversas entre nós, a Marta convidou-me a estar presente neste dia, junto dela, para partilhar alguns conhecimentos, esclarecer algumas dúvida, se fosse caso disso, e ouvir o que cada um tem para contar.
A intenção do Encontro era tentar, em conjunto, arranjar algumas soluções e/ou ideias e encontrar respostas as questões como (cito a publicação do site OvO):

"Como me sentiria se passasse um dia inteiro ali?
Qual o número de crianças, educadores e auxiliares por sala?
Em relação às rotinas... são feitas planificações antecipadas? Porquê?
Perceber o motivo de selecção de grupos, sejam eles homogéneos ou heterogéneos.
Como é que fazem a gestão e adequam as actividades às diferentes faixas etárias?
Confeccionam menus adequados a crianças com hábitos alimentares específicos? Ementa variada?
Se ainda for o caso, questionar o educador sobre a abertura para a amamentação, co-sleeping, fraldas reutilizáveis e ainda como têm por hábito fazer o desfralde.(...)"
 
 
Alguns pais colocaram questões que iam de encontro a alguns dos pontos focados pela Marta. São perguntas que se repetem todos os anos no início dos anos lectivos aquando a entrevista do educador aos pais, umas mais frequentes que outras, provavelmente porque alguns pais se sentem constrangidos ao colocar tantas questões... infelizmente.

Quando cheguei a casa e pensei no momento que tivemos nessa tarde, dei por mim com uma série de questões a invadir os meus pensamentos. Tentei dar resposta às mesmas mas ao mesmo tempo pensava se faria sentido encontrar tantas respostas? Será que uma pequena frase não resumia tudo isso?
Bem.... Nesta altura fará sentido explicar-me.

Depois de dar respostas a pais, a partilhar experiências como profissional de educação, a ouvir ideias e inquietudes... perguntei para mim mesma: E porque não nos entrevistam os pais?

Esta questão surge depois de analisar bem o que fazemos com a família. Então vejamos, por exemplo, o Manual de Qualidade de Creche, deparamo-nos com inúmeras páginas para orientação do profissional, deste o atendimento, à avaliação de admissibilidade, à admissão, depois passa-se para o ponto onde se faz a avaliação das necessidades e expectativas iniciais, faz-se o contrato com o "cliente", preenche-se o processo individual e o programa de acolhimento, existinto para isso uma entrevista entre a família e o colaborador (passa pelo diretor técnico, o coordenador e/ou o educador de infância) e tantos e tantos papeis, tantas pessoas que passam no meio deste processo e ainda correndo o risco de não ser aceite a admissão por qualquer critério fundamentado (ou não) pela instituição ou apenas ficar em lista de espera.


No meio de tudo isto tenta-se transmitir confiança aquela família que não nos conhece de lado nenhum, não sabe quem somos, ao que nos propomos, como trabalhamos, o que nos motiva, o que fazemos no dia a dia com os nossos grupos....

Pergunto então e mais uma vez: Porque não nos entrevistam os pais?

Se nós (profissionais) os enchemos de perguntas para sabermos se a criança é agitada ou tranquila, se dorme pouco ou muito, se usa chupeta ou nada, se usa fralda ou cueca, se come bem ou nem por isso, se tem alergias ou não, que doenças infantis já teve, se já teve doenças ou não, que brincadeiras prefere, se gosta de estar em grupo ou mais isolado, como podemos ajudar na adaptação, e mais e mais e mais... porque não podem os pais, também, nos questionar sobre quem somos, de onde somos, que percurso temos tido, o que nos motiva nesta profissão, o que nos faz continuar, que experiência temos, quais as nossa práticas pedagógicas (reais), se somos casados ou solteiros, se temos filhos, que outras formações realizámos, com que materiais gostamos de trabalhar, como agimos num desfralde, como ajudamos na (bendita e tão falada) autonomia, como se trabalha em equipa quando a mesma é a escola e a família, se fazemos "fichas"...?

Porque não? Sim... que constrangimento é esse de não gostar que uma mãe e/ou um pai conheçam a pessoa que irá estar com o seu filho? Porque é considerado abusivo? Porque não mostramos quem somos a quem deverá confiar em nós?



 
Não fará mais sentido a família "avaliar" melhor a pessoa que ficará com o seu filho do que a instituição que o acolhe, e falo em espaço físico? São as paredes bem decoradas por adultos e o espaço exterior que fazem uma criança sentir-se integrada? São os brinquedos e restantes materiais que fazem com a criança tenha vontade de passar todo o dia naquele local?  São o refeitório e as casas de banho imaculadas que fazem a criança feliz? Não serão as pessoas que fazem as instituições?

Quando pensava nestas questões ia revendo o meu caso. Recordo-me que nas últimas "entrevistas" ou conversas que tive com famílias, aquando a entrada do seu filho na instituição, iniciei com a minha apresentação mas não do género "Olá eu sou a Tina e vou ser a educadora do vosso filho".

Recordo-me que sempre fiz questão de falar abertamente com os pais não só nesse momento mas também em conversas ocasionais e até nas reuniões de pais. Para além de apresentar a instituição, as rotinas, o projeto, o restante grupo, também me apresentava como educadora, como pessoa, como mãe e deixava os pais à vontade para colocarem as questões que quisessem.
Talvez por isso sempre tive excelentes relações com as famílias dos meus meninos. De alguns sou, inclusive, amiga. Claro! Porque não?

Para alguns colegas poderá não fazer qualquer sentido esta última questão mas acreditem que muitas vezes era "mal vista" por dar tanta "confiança" aos pais e quando digo confiança não era questão de nos tratarmos como "tu cá tu lá", era de conversarmos sobre qualquer tema que surgisse, era deixar que entrassem na minha sala, era deixar que participassem em sala, era permitir que dessem sugestões de atividades, era até combinar encontros fora da instituição (e houve alguns memoráveis)... Para mim eram coisas simples que faziam com que as nossas relações fossem isso mesmo, relações!

Sinceramente continua a chocar-me ver certas posturas. Não faz muito tempo que ouvi da boca de uma educadora a seguinte frase "ahh mas na minha sala quem manda sou eu, os pais podem dizer o que que lhes apetecer, terem a opinião que quiserem e até pensarem que eu vou pela ideia deles mas estão muito enganados porque a minha palavra é sempre a última e dentro da minha sala funciona como eu quero".

Eu pergunto: Mas isto é o quê????????
O que ganha esta educadora com este tipo de postura?
Não será pura ignorância e insegurança?

Com o tempo, infelizmente, vou vendo que continuam a haver estes profissionais que em nada dignificam a nossa profissão.
Mas com o tempo, felizmente, vou vendo que outros tantos tentam marcar pela diferença.

Eu continuo a perguntar que constrangimento é este de nos darmos a conhecer? Quem abre a porta da sua casa sem perguntar quem é? Quem atende o telemóvel de uma chamada privada sem duvidar de quem está do outro lado? Quem vai a um médico sem tentar saber se é ou não bom profissional? Quem vai comer a um restaurante e deixa ao critério do empregado de mesa a nossa refeição? Quem não "avalia" primeiro uma pessoa que acabou de conhecer antes de fazer planos de novo encontro com ela?

Então e porque podem ou devem os pais deixar o seu filho com alguém que ´"só" se diz educador?

Faz-me lembrar também um texto fantástico, de um colega nosso, intitulado ""Manifesto contra o colega da porta do lado". Muito pertinente, muito bom!

Aqui se fala de como nos fechamos aos outros, como deixamos que a nossa insegurança nos prenda, como nos preocupamos com estatutos, como damos importância aos resultados finais para bem parecer a diretorias e alguns pais (e outros afins), como nos preocupamos com o "eu" deixando o "outro" para segundo plano. Mas quando este "outro" são os pais ou as crianças a situação tem que mudar! É urgente que se eduquem os educadores, tal como diz Edgar Morin.

E então, fará sentido os pais entrevistarem-nos?
 

domingo, 24 de agosto de 2014

O Mundo Maravilhoso... da Arte das Emoções IV

Chegou o dia da mãe da L.E. mostrar o que fizeram em casa com o nosso livro de histórias (clique para ver) - isto em Maio deste ano.

A história escolhida foi, mais uma vez, "Amigos para Sempre" mas a forma de apresentação foi diferente. Então nesse dia vimos um vídeo, organizado pela mãe, com músicas infantis e várias fotografias, escolhidas pela L.E., desde o seu nascimento, à entrada na escola, a momentos de sala na creche, a festas de aniversário, a momentos com a família...


Foi muito giro, a mãe também esteve presente, e uma ou outra lágrima fizeram questão de espreitar. Obrigada pelo momento e pela partilha.





quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Porque é que as crianças não aprendem?

Adorei este artigo e fiz questão de o publicar.
 


"A maior parte das dificuldades surgem por desmotivação, não por incapacidades neurológicas: a conclusão é de Nelson Lima, neuro-psicólogo e director do Instituto de Inteligência, que há anos vem organizando estudos, orientando professores, apoiando as crianças e chamando a atenção para a ineficácia do actual sistema de ensino.
'As crianças sentem-se perdidas e não percebem para que serve a escola. Tal como os incêndios e os desastres de automóvel, acho que também na escola estamos em estado de calamidade nacional.'
Foi o Instituto da Inteligência que lançou o alerta: um em cada três alunos portugueses tem dificuldades de aprendizagem, número escandaloso para qualquer país e que, ainda por cima, tem tendência a aumentar.
'Há uma quase obsessão em querer ensinar muita coisa às crianças em pouquíssimo tempo', nota Nelson Lima. 'O que a escola devia fazer nos primeiros anos era dar noções gerais do que é a vida. Mas um aluno de 12 anos tem 15 disciplinas! Como é que pode aprender alguma coisa?' Quinze disciplinas que depois se reflec-tem na forma desmesurada como aconte-cem os trabalhos de casa. Estranhamente (ou talvez não.), e segundo um estudo europeu, somos um dos países com piores resultados escolares e o país europeu que mais tempo dedica aos trabalhos de casa.
O neuropsicólogo conta o caso de uma criança de 11 anos que lhe chegou com uma estranha missão: 'Passou o dia aflitíssima porque tinha de fazer um trabalho sobre a Bósnia-Herzegovina. E sobre o Alentejo é capaz de não saber nada. Entretanto, o irmão estudava exaustivamente a Albânia. Isto tudo, feito desta forma, é um disparate pegado!' Tudo somado, contribui para o stresse diário de muitas famílias.
Pais com tempo e cultura suficientes ou dinheiro para pagar a explicadores são capazes de dar uma ajuda. Mas muita gente se sente aflita. 'Os miúdos vêem-se a braços com imensa informação que se refugia em palavrões. 'Um buraco negro é conhecido como um sorvedouro cósmico', para miúdos de 11 anos, acha normal?', questiona Nelson Lima. 'O importante era dar-lhes algumas noções básicas, mas bem dadas. Actualmente, com tanta matéria que lhes impingem, qual é o resultado? É que não fica lá nada! Eles não sabem nada do mundo! E esta é a geração que há-de chegar um dia ao poder!'
É URGENTE A EDUCAÇÃO EMOCIONAL

A obsessão de querer ensinar tudo em pouco tempo faz com que estejamos a cultivar a ignorância, por recusa inconsciente em aprender. 'A ansiedade e o stresse estão a aumentar de forma assustadora nas crianças. E muitos pais, embora se queixem destas anomalias, são os primeiros a defender o modelo de escola actual, porque é a escola que eles próprios tiveram', revela Nelson Lima.
Resolver as coisas passaria por reduzir a carga programática. 'Aligeirar as coisas não seria retirar qualidade, seria dar às crianças mais tempo para falarem sobre o mundo delas e acrescentar coisas que faltam: ensiná-las a pensar e a estudar. Tornar as crianças seres pensadores.' Isto evitaria percursos de aprendizagem trágicos e completamente destruidores de vidas, evitaria, por exemplo, que tanta gente chegasse à universidade com a impressão de que escolheu o curso errado. 'A educação emocional deveria ser uma disciplina mais importante que a Moral. As crianças conhecem-se muito pouco a elas próprias. Elas nunca sabem dizer quem são, não conhecem as suas próprias virtudes e qualidades. E isto é perigosíssimo.'
Nelson Lima propõe mudanças que podem ser feitas pelos próprios pais, pois mudar o sistema de ensino é mais complicado: 'Podemos ajudar as crianças a organizarem-se de modo a que não fiquem muitas horas a estudar. Vinte minutos com um intervalo de dez minutos, depois mais vinte minutos.'
E, principalmente, fazer tudo para que pelo menos o fim-de-semana fique livre de trabalhos. 'Fujam dos shoppings, vão apanhar ar livre, vão passear a parques, jardins, montanhas, vão para onde quiserem mas que seja ao ar livre e onde possam correr. O importante é quebrar a rotina para diminuir os níveis de stresse que estão a aumentar cada vez mais nas crianças. É a única forma de os defender. O resto teria de levar uma volta inteira, por forma a implantar medidas inteligentes não tão ambiciosas sob o ponto de vista académico. Isto já não vai com uma reforma, mas com uma revolução!'"


Catarina Fonseca/ACTIVA
16 Abril 2012

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

O 25 mitos da pediatria

As orientações da pediatria moderna são conhecidas em Portugal e estão adotadas por muitos especialistas. Conheça os 25 mitos da pediatria
 
Conhecimentos inéditos sobre o desenvolvimento biológico estão a revolucionar os cuidados aos mais pequenos.


Música na gravidez Não é preciso nascer para ouvir. Hoje admite-se que o feto tem capacidades auditivas a partir das 12 semanas e guarda memória dos sons após o nascimento. Recomenda-se a audição de sons graves porque têm um efeito calmante e a música clássica está entre os estilos adequados. Os ritmos binários têm a vantagem acrescida de se assemelharem ao batimento do coração da mãe.

Uma curiosidade: a cadência com que as mães embalam é igual ao seu ritmo cardíaco e é por isso que o bebé adormece mais facilmente.

Aleitamento
 Evitar alimentos como laranjas, cebolas, leguminosas ou chocolates não diminui as cólicas no bebé. A alimentação da mulher deve ser variada desde a gestação porque está provado que o feto inicia o desenvolvimento das células sensíveis ao sabor às  14 semanas. Todos são unânimes sobre os benefícios da amamentação exclusiva até aos seis meses de vida do bebé e provou-se que estão erradas as teorias sobre a fraca qualidade do leite muito líquido ou que não escorre quando é deitado num copo. O aleitamento é prioritário e deve começar ainda na sala de partos.

Esterilização
Ferver ou esterilizar biberões e tetinas não é necessário se os pais lavarem frequentemente, e bem, as mãos. As doenças infeciosas são menos frequentes e em condições normais de habitabilidade e de higiene basta uma lavagem que elimine os resíduos.

Alimentos
É um erro excluir alimentos como peixe, gema de ovo, carne de porco e frutas nos primeiros tempos de vida. A seleção visava prevenir alergias, mas as organizações internacionais defendem que atrasar a diversificação alimentar, mesmo em alérgicos, não traz benefícios. Outro erro antigo: não se deve obrigar a comer nem negociar alimentos por alimentos - por exemplo, dar uma bolacha para compensar ter comido sopa - e os legumes e frutas devem estar sempre na mesa porque a sua presença influenciará a alimentação na vida adulta. No passado, os alimentos eram introduzidos com o aparecimento dos dentes e agora são recomendados aos quatro meses, quando não há amamentação. 

Suplementos alimentares
Vitaminas para quê? A sociedade moderna caracteriza-se pela abundância e uma dieta equilibrada é suficiente. A exceção, sobretudo no primeiro ano de vida, é a vitamina D, que gerações reforçaram com "colheradas" de óleo de fígado de bacalhau. A tradição tem sido recuperada sob outras formas: os ácidos gordos são decisivos na formação das membranas cerebrais e estão a ser redescobertos em óleos de peixes de profundidade.

Peso
Gordura não é formosura. Cada bebé tem o seu ritmo e as variações nem sempre são sinal de doença. Os pediatras afirmam que os pais modernos se preocupam em excesso com o crescimento e recomendam que pesagem e medição só sejam feitas nas  consultas de rotina.

Sono
Não tem fundamento o medo de que os bebés deitados de costas podem sufocar no caso de bolçarem. Em situações normais, o corpo humano está preparado para evitar estas situações. O medo levou muitos pais a deitarem os recém-nascidos de barriga para baixo, mas hoje é reprovável e perigoso. É  mandatório deitar os bebés de barriga para cima, pelo menos, até aos seis meses. Depois, é o próprio bebé que escolhe a posição mais confortável. O sono solitário foi estimulado por se acreditar que promovia a autonomia, mas não está provado.

Morte súbita
"Abafar" os bebés não é o perigo principal. A morte de crianças saudáveis por razões inexplicáveis continua a registar-se e estudos recentes têm evidenciado que é mais comum quando os pais são fumadores, em famílias monoparentais e quando o bebé é deitado de barriga para baixo. 

Choro
As lágrimas são mais do que fome ou fralda molhada. Descobriu-se que os bebés são muito sensíveis a estímulos e também precisam de aliviar a tensão. Ou seja, às vezes basta deixar chorar um bocadinho para perceber a mensagem.

Banho
Esperar pela digestão para dar banho é um mito. A água utilizada está morna e não existe choque térmico, responsável pela congestão. Além disso, o leite é de fácil digestão. O  banho deve ser um prazer e a regra é "água quanto baste e pouco produto de limpeza", sobretudo com glicerina, porque seca e irrita a pele em demasia.

Pele
Pó de talco fora da lista. A limpeza exagerada é inimiga da pele e um banho seguido de uma loção hidratante é suficiente. Na  zona da fralda é necessária parcimónia no uso de toalhetes, pois limpam a sujidade, mas também podem arrastar a camada superficial da pele. Quando a fralda só está molhada e não existe irritação não é necessário usar creme ou pastas sob risco de provocar uma sensibilização excessiva. E o pó de talco está fora de moda porque as partículas podem ser inaladas pelo bebé.

Fralda
O uso precoce do bacio está fora de questão. Os pediatras estão a recuperar a tradição de retirar a fralda só aos dois anos porque o controlo precoce do esfíncter pode, afinal, trazer problemas. 

Botas ortopédicas
Não vale a pena olhar para os pés antes dos dois anos. A ortopedia moderna respeita as regras de crescimento do pé e da marcha das crianças e qualquer  calçado que faça alguma contenção interfere com a evolução normal. É ponto assente que é o exercício e não o calçado ortopédico ou formativo que cumpre a missão fisiológica. Sempre que possível, as crianças devem andar descalças e usar sapatos que protejam apenas o tornozelo e o calcanhar.

Creche
A socialização, afinal, só começa aos três anos. Na sociedade atual mães e avós trabalham e os bebés vão para a creche cada vez mais cedo. Contudo, a maioria dos pediatras regressou ao passado para recomendar os cuidados dos avós até aos três anos. Argumentam que os ganhos de afeto compensam.

Febre
A temperatura não é doença. A maioria das crianças faz quatro dias de febre e não é preciso baixar a temperatura de imediato como querem os pais dos nossos dias. Os médicos alertam que a febre é muitas vezes é um mecanismo de defesa do organismo e que um sinal de serenidade é a criança continuar a brincar. 

Tosse
Adeus ao xarope. Tossir é uma forma do corpo para eliminar secreções e melhorar a respiração. Trata-se de um sintoma e não de uma doença e nos primeiros anos de vida não são recomendados inibidores.

Aerossóis
São os grandes terapeutas do século XXI. Ajudam a respirar melhor, contudo, os médicos têm dúvidas sobre o que os próximos avanços podem revelar sobre a sua utilização. 

Ginástica respiratória
Comum na década de 90 revelou-se desnecessária. Era usada para bronquiolites e hoje sabe-se que aumentam o cansaço e as dificuldades de respiração. 

Remédios caseiros
Vivem-se tempos de medicação excessiva. As precauções sobre o uso de remédios estão na ordem do dia e a regra é recuperar remédios caseiros como o xarope de cenoura e os preparados com mel. 

Vacinas
O calendário mudou. As crianças dos nossos dias são mais vacinadas - e dizem os pediatras, estão mais protegidas - e já não é preciso recomeçar do zero quando há atrasos muito grandes.

Flúor
As gotas outrora comuns foram trocadas pelos dentífricos. Atualmente é promovida a lavagem cada vez mais precoce dos dentes, aliás, logo que a  dentição aparece na vida do bebé

Brinquedos
Quantos mais, pior. As crianças precisam de estimular a imaginação e para isso não podem ter muitos brinquedos para poderem explorá-los ao máximo, dando-lhe várias utilizações. Os pais devem guardar os presentes, optando pela distribuição ao longo do ano. 

Animais
Os eternos amigos estão de volta. Após várias teorias sobre o risco acrescido de alergias, cães, gatos, pássaros e outros animais são desejáveis para o desenvolvimento da criança. 

Desporto
O cloro não faz alergia. A prática desportiva é defendida para o desenvolvimento psicomotor e a natação volta a liderar as preferências. A qualidade da água das piscinas melhorou e os bebés podem nadar a partir do sexto mês de vida. Só é preciso limpar o cloro com um banho abundante e dar bastante água para minimizar a sua presença no estômago. 

Regras
O ónus dos pais sobre a personalidade dos filhos está mitigado. Passou a ser admitido que há crianças difíceis que complicam a vida das famílias e que as regras são, por isso, indispensáveis. A negociação deve existir, mas sem rendição, em especial, dos pais.



Fundamentos
Teses de médicos portugueses
As orientações da pediatria moderna são conhecidas em Portugal e estão adotadas por muitos especialistas. O Expresso ouviu alguns pediatras com trabalhos publicados nesta área e com funções em hospitais públicos de referência. Entre eles, o chefe do Serviço de Pediatria do Hospital de Cascais, Luís Pinheiro; o presidente do Colégio de Pediatria da Ordem dos Médicos, Anselmo da Costa; o neonatologista do Hospital de Santa Maria, António Simões de Azevedo; o presidente da Sociedade Portuguesa de Pediatria, Luís Januário, e o diretor da Pediatria Médica do Hospital de Dona Estefânia, Gonçalo Cordeiro Ferreira.

Vera Lúcia Arreigoso
Texto publicado na edição do 
Expresso de 6 de dezembro de 2008

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

O que dizem os especialistas sobre este estudo?

Amor de pai é uma das principais influências 
na personalidade humana


"Branco, negro, gordo, magro, católico, protestante, rico, pobre. Não importa quantos fatores sociais, económicos, culturais ou religiosos difiram entre as pessoas, nós todos temos algo em comum: viemos ao mundo graças a um pai e uma mãe, e o amor deles por nós faz toda a diferença na nossa vida.

Segundo um novo estudo, ser amado ou rejeitado pelos pais afeta a personalidade e o desenvolvimento de personalidade nas crianças até a fase adulta. Na prática, isso significa que as nossas relações na infância, especialmente com os pais e outras figuras de responsáveis, moldam as características da nossa personalidade.

“Em meio século de pesquisa internacional, nenhum outro tipo de experiência demonstrou um efeito tão forte e consistente sobre a personalidade e o desenvolvimento da personalidade como a experiência da rejeição, especialmente pelos pais na infância”, disse o coautor do estudo, Ronald Rohner, da Universidade de Connecticut (EUA). “Crianças e adultos em todos os lugares tendem a responder exatamente da mesma maneira quando se sentem rejeitados por seus cuidadores e outras figuras de apego”.

E como elas se sentem? Exatamente como se tivessem sido socadas no estômago, só que a todo momento. Isso porque pesquisas nos campos da psicologia e neurociência revelam que as mesmas partes do cérebro que são ativadas quando as pessoas se sentem rejeitadas também são ativadas quando elas sentem dor física. Porém, ao contrário da dor física, a dor psicológica da rejeição pode ser revivida por anos.

O fato dessas lembranças – da dor da rejeição – acompanharem as crianças a vida toda é o que acaba influenciando na personalidade delas. Os pesquisadores revisaram 36 estudos feitos no mundo todo envolvendo mais de 10.000 participantes, e descobriram que as crianças rejeitadas sentem mais ansiedade e insegurança, e são mais propensas a serem hostis e agressivas.

A experiência de ser rejeitado faz com que essas pessoas tenham mais dificuldade em formar relações seguras e de confiança com outros, por exemplo, parceiros íntimos, porque elas têm medo de passar pela mesma situação novamente.


É culpa do pai, ou é culpa da mãe?

Se a criança está indo mal na escola, ou demonstra má educação ou comportamento inaceitável, as pessoas ao redor tendem a achar que “é culpa da mãe”. Ou seja, que a criança não tem uma mãe presente, ou que ela não soube lhe educar.

Porém, o novo estudo sugere que, pelo contrário, a figura do pai na infância pode ser mais importante. Isso porque as crianças geralmente sentem mais a rejeição se ela vier do pai.

Numa sociedade como a atual, embora o nível de igualdade de gênero tenha crescido muito, o papel masculino ainda é supervalorizado e muitas vezes vêm acompanhado de mais prestígio e poder. Por conta disso, pode ser que uma rejeição por parte dessa figura tenha um impacto maior na vida da criança.

Com isso, fica uma lição para os pais: amem seus filhos! Homens geralmente têm maior dificuldade em expressar seus sentimentos, mas o carinho vindo de um pai, ou seja, a aceitação e a valorização vinda da figura paterna, pode significar tudo para um filho, mesmo que nenhum dos dois saiba disso ainda."

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

A minha caixa de trabalhos

Com o grupo da sala 5 e com o grupo de CAF foi feito um trabalho de forma a ser continuado pela família.
Em pequenas coisas vamos fazendo com que a família participe, se interesse, venha à escola mais vezes, entre na sala, que fale com os profissionais que estão diariamente com os seus filhos, que descubram novas conquistas das suas crianças, que vejam os seus trabalhos nas paredes da sala, que trabalhem em equipa com a escola e que, acima de tudo, reconheçam o nosso trabalho e haja uma continuidade desse mesmo trabalho pela comunicação que fazemos sempre questão de manter.


Assim... surgiu...
 "A minha caixa de trabalhos"


A cada encarregado de educação foi pedida uma caixa de cartão, com o intuito de ser decorada por cada criança, à sua vontade e com os materiais à sua escolha. No final do trabalho esta caixa irá para casa, será colocada num local especial e mantida com muito cuidado para que, à medida que formos fazendo alguns trabalhos (sobretudo em 3D) que não possam ser colocados nas capas, sejam levados para casa e colocados na caixa.



Depois estas caixas terão de voltar à escola no final do ano lectivo para uma exposição de trabalhos do grupo, se esta se tornar pequena para o volume do que vai sendo levado, os pais terão de fazer outra com os filhos ;)


Estas foram algumas das caixas decoradas por o grupo que tem entre 3 e 6 anos.






Este foi o primeiro trabalho a ser enviado na caixa: 

os fantoches do S. Martinho e do Mendigo.


domingo, 7 de abril de 2013

O poder do exemplo II

Depois de alguma pesquisa, encontrei outro video cujo objetivo se assemelha ao anterior: o exemplo como mote.  Não deixe de ver.

quinta-feira, 28 de março de 2013

Para parar e pensar...


"A boa mãe é aquela que vai se tornando desnecessária com o passar do tempo. Várias vezes ouvi de um amigo psicanalista essa frase, e ela sempre me soou estranha. Chegou a hora de reprimir de vez o impulso natural materno de querer colocar a cria embaixo da asa, protegida de todos os erros, tristezas e perigos. Uma batalha hercúlea, confesso. Quando começo a esmorecer na luta para controlar a super-mãe que todas temos dentro de nós, lembro logo da frase, hoje absolutamente clara.
Se eu fiz o meu trabalho direito, tenho que me tornar desnecessária.
 
Antes que alguma mãe apressada me acuse de desamor, explico o que significa isso.
Ser “desnecessária” é não deixar que o amor incondicional de mãe, que sempre existirá, provoque vício e dependência nos filhos, como uma droga, a ponto de eles não conseguirem ser autônomos, confiantes e independentes. Prontos para traçar seu rumo, fazer suas escolhas, superar suas frustrações e cometer os próprios erros também. A cada fase da vida, vamos cortando e refazendo o cordão umbilical. A cada nova fase, uma nova perda é um novo ganho, para os dois lados, mãe e filho. Porque o amor é um processo de libertação permanente e esse vínculo não pára de se transformar ao longo da vida. Até o dia em que os filhos se tornam adultos, constituem a própria família e recomeçam o ciclo. O que eles precisam é ter certeza de que estamos lá, firmes, na concordância ou na divergência, no sucesso ou no fracasso, com o peito aberto para o aconchego, o abraço apertado, o conforto nas horas difíceis.
 
Pai e mãe - solidários - criam filhos para serem livres. Esse é o maior desafio e a principal missão. Ao aprendermos a ser “desnecessários”, nos transformamos em porto seguro para quando eles decidirem atracar.
 
Dê a quem você Ama :
- Asas para voar...
- Raízes para voltar...
- Motivos para ficar... " 

Dalai Lama

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Porque devem os pais pôr os filhos chorar?

Nas últimas semanas, o psicólogo clínico fez um périplo por vários países europeus, tendo sido ouvido no Parlamento Europeu, em Bruxelas, sobre “qualidade na infância”.
Nas últimas semanas, o psicólogo clínico fez um périplo por vários países europeus, tendo sido ouvido no Parlamento Europeu, em Bruxelas, sobre “qualidade na infância”.

 

Gordon Neufeld

"A ideia de fazer tudo para que os filhos sejam felizes, evitando que chorem, está ultrapassada. A teoria de disciplinar sem que a criança chore está desactualizada, diz Gordon Neufeld, psicólogo clínico canadiano que esteve em Portugal no final da semana.
“As crianças precisam da tristeza, da tragédia para crescerem. Precisam de ter as suas lágrimas”, defende. Nos primeiros meses e anos de vida, o “não” dito pelos pais ajuda a disciplinar, em vez de estragar a criança. “Estamos a perder isso na nossa sociedade, não admira que as crianças estejam estragadas com mimos. Afinal, elas são sempre as vencedoras”, continua o investigador que esteve em Lisboa a convite da empresa BeFamily, do Fórum Europeu das Mulheres, da Associação Portuguesa de Famílias Numerosas e da Associação Portuguesa de Imprensa.
Na conferência sob o lema “Vínculos Fortes, Filhos Felizes”, Neufeld defende que só se atinge o bem-estar através da educação e que esta deve estar a cargo das famílias e não do Estado. E para garantir o bem-estar de qualquer ser humano ou sociedade é necessário preencher seis necessidades.
A primeira é o “aprender a crescer” e para isso há que chorar, é preciso que a criança seja confrontada, que viva conflitos, de maneira a amadurecer, a tornar-se resiliente, a saber viver em sociedade.
A segunda necessidade é a de a criança criar vínculos profundos com os adultos, estabelecer relações fortes. Como é que se faz? “Ganhando o coração dos filhos. É preciso amarmos e eles amarem-nos. Temos de ter o seu coração, mas perdemos essa noção”, lamenta o especialista que conta que, quando lhe entram na consulta pais preocupados com o comportamento violento dos filhos, a primeira pergunta que faz é: “Tem o coração do seu filho?”, uma questão que poucos compreendem, confidencia.
E dá um exemplo: Qual é a principal preocupação dos pais quanto à escola? Não é saber qual a formação do professor ou se este é competente. O que os pais querem saber é se a criança gosta do docente e vice-versa. “E esta relação permite prever o sucesso académico da criança”, sublinha Neufeld, reforçando a importância de “estabelecer ligações”.
E esta ligação deve ser contínua – a terceira necessidade –, de maneira a evitar problemas. Neufeld recorda que o maior medo das crianças é o da separação. Quando estão longe dos pais, as crianças começam a ficar ansiosas e esse sentimento pode crescer com elas, daí a permanente procura de contacto, por exemplo, entre os adolescentes com as mensagens enviadas por telemóvel ou nas redes sociais, muitas vezes, ligando-se a pessoas que nem conhecem, alerta o especialista.
O canadiano recomenda que os pais estabeleçam pontes com os seus filhos. Quando a hora da separação se aproxima, há que assegurar que o reencontro vai acontecer. Antes de sair da escola, dizer “até logo”; à hora de deitar, prometer “vou sonhar contigo”.  
Mas a separação não é só física, há palavras que separam como “tu és a minha morte” ou “tu és a minha vergonha”. Mesmo quando há problemas graves para resolver, a frase “não te preocupes, serei sempre teu pai” ajuda a lembrar que a relação entre pai e filho é mais importante do que o problema. Hold on to your kids é o nome do livro que escreveu e onde defende esta teoria.

A importância de brincar

 

A quarta necessidade a ter em conta para garantir o bem-estar dos filhos é a necessidade de descansar. Cabe aos adultos providenciar o descanso e este passa por os pais serem pessoas seguras e que assegurem a relação com os filhos.
As crianças precisam que os pais assumam a responsabilidade da relação, que mantenham e alimentem a relação, de modo a que elas possam descansar e, nesse período, desenvolver outras competências. Uma criança que está ansiosa pela atenção dos pais não está atenta na escola, por exemplo.
Brincar é a quinta necessidade a suprir. Não há mamífero que não brinque e é nesse contexto que se desenvolve, aponta Neufeld. E brincar não é estar à frente de uma consola ou de um computador; é “movimentar-se livremente num espaço limitado”, não é algo que se aprenda ou que se ensine. E, neste ponto, Neufeld critica o facto de as crianças irem cada vez mais cedo para a escola, o que não promove o desenvolvimento da brincadeira. “Os ecrãs estão a sufocar a brincadeira e as crianças não têm tempo suficiente para brincarem”, nota o psicólogo clínico que, nas últimas semanas, fez um périplo por vários países europeus, tendo sido ouvido no Parlamento Europeu, em Bruxelas sobre “qualidade na infância”.
Por fim, a sexta necessidade é a de ter capacidade de sentir as emoções, de ter um “coração sensível”. “Estamos tão focados em questões de comportamento, de aprendizagem, de educação; em definir o que são traumas; que nos esquecemos do que são os sentimentos. As crianças estão a perder os sentimentos quando dizem ‘não quero saber’, ‘isso não me interessa’, estão a perder os seus corações sensíveis”, diz Neufeld.
Em resumo, é necessário que os pais criem uma forte relação emocional com os filhos, de maneira a que estes sejam saudáveis. Os pais são os primeiros e são insubstituíveis na educação dos filhos e são eles que devem ser responsáveis pelo seu desenvolvimento integral e felicidade. Se assim for, estarão também a contribuir para o bem-estar da sociedade."


in "Life & Style, Família e Relações - Público"